segunda-feira, 9 de março de 2015


AMULETO

Talvez  ela nem necessitasse de um
Talvez
Mas quem sabe?
Ela o dependurava nas canelas
E eram belas

Como eram belas!

sonia delsin 



RISCOS

Não me olhe com estes olhos
Não me beije assim
Tenha pena de mim
Sou apenas uma mulher
Uma mulher sonhadora
Olha que vou me apaixonar
E aconteceu
Nem sabia mais onde começava você
Onde terminava eu
Estas coisas acontecem
Da gente se apaixonar

sonia delsin


NA LUZ DO TEU OLHAR

chegava a me queimar
a luz do teu olhar
...
lembranças tantas
outros lugares, outras eras
...
teus olhos e teus beijos
é que me transportavam
...
eu viajava no brilho do teu olhar
eu te amava no presente
e no passado
repetia sem cessar:
meu amado!
meu amado!
...
dizia: nosso amor é tão puro
me dizias: não tem futuro, não tem futuro

...
reconhecer isto foi tão duro, tão duro 

sonia delsin 


SEM SENTIMENTO

eras um fingidor
como fingias!
e dizias
...
e não sentias
penso que não

penso que fingias sentir amor

sonia delsin 


TERRA – MÃE


Olho a rosa amarela
Penso na natureza
Tão bela!
Tão bela!
O homem a maltrata
Quase a mata
E ela ainda nos presenteia
Com flores
Com frutos
Com beleza
Terra mãe!
Até quando sofrerás?

Até quando aguentarás?

sonia delsin 


O CHEGAR E O PARTIR


você entrou em minha vida
ruidosamente
e saiu sem ruído
deixou meu coração tão ferido
como se tivesse sido fatiado
com cacos
de vidro


 sonia delsin 


RELÍQUIAS

guardei o teu sorriso
lindo, lindo
é, te guardei sorrindo
às vezes eu te preciso
e corro para as relíquias do meu paraíso
é lá que guardei
entre as coisas mais caras
mais raras
do meu existir
lá vives a rir
a rir
tu que esqueceste de sorrir


sonia delsin