sexta-feira, 23 de janeiro de 2015



MORRENDO

morro
e esta cara de gesso?
morro
virou o mundo do avesso?
não grito socorro
morro
os olhos da estátua não piscam
nem os meus
pois estão petrificados
estão grudados
no passado
e desfilam personagens duma vida
desfilam
as imagens correm rápidas
todas, todas
vejo a rosa mais linda e os estragos do vento no jardim
vejo a mim mesma a correr pelos campos plantados
plantando, colhendo, plantando, colhendo...
vejo parques arruinados
e sobrados
e sombras
e luz
vejo uma cruz
vejo Jesus
imaginação demais?
só sei que sinto uma paz,
uma grande paz
voo para o infinito
e vou repetindo:
foi bonito
foi alegre, triste, difícil, fácil
... foi um longo caminho

e foi bonito

sonia delsin 


CONSTRUINDO

a ideia do voo me fascina
dentro do peito sou menina
uma menina que vive voando
que vai pela vida encontrando
na poeira do caminho
o espinho
e a rosa
ideias vou aprimorando
meu ser lapidando
escrevendo
poetando
contando


sonia delsin


VENTO NA MONTANHA

talvez a gente se encontre
nalgum vento na montanha
talvez a gente se esbarre
num voo de beija-flor
talvez... outro tempo, meu amor
talvez recordemos o outrora
outro tempo
outra hora
... da lareira o calor
talvez a gente tropece na mesma pedra do caminho
talvez pise o mesmo espinho
então diríamos talvez, outro tempo para nós
e os laços, e os nós?
rompe-se a barreira do nunca?
talvez, talvez...

sonia delsin


O MESMO?

Ele me dizia:
Não quero caminhar a esmo
Não quero ser o mesmo
Doutros dias, doutros tempos
Não quero repetir a façanha
Não quero fazer barganha
Não caio mais em teia de aranha
Não quero repetições
Ilusões
Desilusões
...
Era um desiludido
Temia os amores
Dizia:
Pra mim é proibido
...
Pobre homem!
Temia a novidade
da vida
Caiu na monotonia da morte

Da morte dos sonhos

sonia delsin


Ó, QUEM ME DERA!

Se voar eu pudesse!
Se asas eu tivesse!
Mas tenho!
Ou não?
Será que estar aqui na Terra é a condição?
Devo silenciar minha emoção?
Ou devo deixar falar o coração?
E ele gosta de nuvens, de estrelas, de lua...
De ficar andando ao léu
Gosta de passear pelas ruas
A observar os transeuntes
Gosta de ver coisas diferentes
E gosta de voar
Alcançar o mar num simples e curto voar
Gosta de redes sob os coqueiros, o balançar
O ir e vir das ondas
Gosta de jardins floridos
Acha tudo tão bonito
Vive deslumbrado com a beleza
Com a natureza
Não é simples voar, divagar, imaginar?
Irmos de encontro ao que estamos a desejar
Seja com nosso corpo presente ou nossa mente



sonia delsin


SONHAR

Queria
Ó, como eu queria!
Dormir nos teus braços
Receber teus abraços
E teus beijos
Queria palavras sussurradas
Me sentir amada
Recordo tantos fatos passados
Recordo o nosso tempo de enamorados
E penso:
O que é que a vida faz disso?
São energias que se diluem no ar?
São fumaças?
Estão destinadas a se acabar?
Queria nos teus braços ressonar
e sonhar
Com aquele tempo mágico que não sei onde foi parar

sonia delsin


UM BOM SUJEITO


Lembro bem a bota de cano curto
A forma que a calçava
A mão branca que naqueles momentos a acariciava
...
Lembro a boca, o olhar, a forma de me falar
Jamais esqueceria seus jeitos e trejeitos
Era um bom sujeito
Um bom sujeito
... Tempos bons aqueles, tempos de sonhar...


sonia delsin