domingo, 8 de março de 2015


QUANDO ME ABRAÇAS

Quando me abraças...
Quando me enlaças...
Estranha a vida
E linda
Ela nos traz tanta coisa
Leva e traz
Traz e leva
Leva e traz
Ela me trouxe teus braços
Teus abraços
O aconchego
O ninho
O carinho
Quando me abraças, eu viajo
Vou ao embalo das ondas do mar
Vou navegar
Vou visitar a sereia
Vou ouvi-la cantar
Ou vou ao firmamento
Algumas estrelas visitar
Ver a lua amiga
A companheira de tantas noites solitárias
Ou vou simplesmente passear sem compromisso pelas ruas da cidade
Teu abraço me traz tanta tranquilidade e felicidade


 sonia delsin


ENCONTRO COM A ROSA

(as pessoas precisam encontrar um jardim, mesmo que seja dentro de si mesmas - este poema é uma ficção, mas quantas pessoas passam por esta situação)

Preciso de ti, rosa
Da tua cor carmim
Da maciez de tuas pétalas
Preciso
Rosa, eu estou visitando o jardim
Vim sozinha
Numa estrada só minha
Vim lambendo uma ferida
Vim lamentando a dor da vida
Mas deparei com o esplendor que existe em ti, ó rosa!
E me encantei
Deslumbrada agora até dou risada
Da dor que considerava crucial
Não era
Não, eu não estava em estado terminal
Achava que estava mal
Mal comigo, mal com mundo
Mas tudo muda num segundo
Bastou te admirar, rosa,
pra tudo mudar
Viajo na tua cor, nas tuas pétalas macias
Viajo no voo do colibri que vem te beijar
Vejo uma borboleta que se aproxima
Meus olhos que andavam tão cansados
pousam nela e reparam a leveza
Estou fascinada com a beleza
A beleza da rosa
A beleza do meu olhar
que conseguiu a mensagem captar
Não digo: vou me recuperar
Digo: já me recuperei
Encontrei, encontrei

Encontrei um jardim

sonia delsin  

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015



SAUDADE

Deitei numa cama
de capim.
Deitei meu olhar no horizonte,
no jardim.
Deitei meu corpo cansado.
Foi assim.
...
Apesar da lágrima,
Da sensação de vazio.
Apesar do frio.
Tu foste o calor que me acendeu.
Foste uma pena.
O vento te levou.
Tuas palavras ecoam na distância.
Teus risos perambulam pelo vale.
E teus olhos se deitaram
na terra do nunca mais.

sonia delsin 


AS SAIAS RODADAS

Elas giram
As moças
As lindas moças das saias rodadas
Dão risadas
São risos cristalinos
Busco os meninos
E eles se ausentaram
Ficaram elas e as saias vermelhas
Lindas, são lindas dançando
E cantam lindamente também
E riem, e riem...
A mais não poder
Observo tudo
E me ponho a escrever
Contar das saias?
Dos risos?
Do ontem?
Do agora?
Não as deixo ir embora
As moças das saias vermelhas rodadas

sonia delsin


SORRISO ETERNO

preciso de teu riso
que ele venha à tona!
ainda que ele não venha esfuziante de vida
preciso de teu sorriso “olhos” e  “coração”
preciso de teu sorriso
pra me manter mais tempo no chão
ando por outros espaços caçando o teu sorriso
busco-o sedenta
busco-o
vivo a buscá-lo na imensidão
e preciso de mais tempo aqui
há horas em que não me sinto presa ao solo
há horas que flutuo, volito
adejando busco o teu sorriso
será que ficou em alguma estrela esquecido?
será que se mantém adormecido?
será que se perdeu?
será que teu sorriso morreu?
ou se transformou?
virou uma lágrima e escorregou?
no deserto ele penetrou?
que foi feito do teu sorriso?
não posso desistir de buscá-lo
ainda que nunca mais eu o encontre
ainda assim
porque por mais que ele não apareça
ele continua existindo em mim

sonia delsin


QUERO TE ABRAÇAR

Quero derrubar
... as barreiras
Quero te abraçar
A ti me ligar
Na corrente da vida conectar
O que as vicissitudes não conseguiram arruinar

A força do amar

sonia delsin


SONHOS NO ARMÁRIO

Nem tu
Nem eu
Não entendíamos os acontecimentos
Não compreendíamos os sentimentos
O incêndio no peito
O mundo ficando lindo, sem defeito
...
E de repente o vazio
O quarto frio
O mundo perdendo o colorido
Tudo perdendo o sentido
Desabados
Acabados
Desesperançados
Dois desgraçados?
...
Não
Duas aves num voo solitário
Guardados todos os sonhos no armário
Pra outro tempo


sonia delsin