quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015



NOUTRO TEMPO, TALVEZ

Não me procuravas
Nem eu
Tampouco eu te procurava
Íamos vivendo simplesmente
E nos encontramos de uma forma diferente
Marcou nossa vida aquele encontro?
Já viemos com destino pronto?
Me disseste:
Estou tonto, estou tonto
Duma boa tonteira
... porém, porém...
Nem todos os encontros são definitivos
Nem mesmo os reencontros explicam tudo
Ainda não
O mundo disse: ainda não!
E partimos de nós
Talvez nos encontremos de novo

Noutro tempo, noutra dimensão

sonia delsin


BORBOLETANDO

Ela vai de flor em flor
É um amor
Vive a borboletar
Que é o seu destino
Voar, revoar
Vem todos os dias o meu jardim visitar


sonia delsin


MEU FANTASMA BONZINHO

Meu “fantasminha” chega de mansinho
Ao meu lado se instala devagarzinho
E bate um papo comigo
Um papo diferente
Não nos falamos com palavras
Nem com olhares
Nem mímica
É algo diferente
E as ciências não explicam
Nós nos falamos com a sensibilidade
Viajamos a bem da verdade
Pra outros espaços

Espaços dentro de mim

sonia delsin 


NO MAR... DO TEU OLHAR

Deixei meu olhar se arrastar pro mar
Deixei meus olhos presos no mar

No mar de teu olhar

sonia delsin


ASAS MACHUCADAS

Buscava em teus braços o repouso
Queria pouso
Era ave cansada
Buscava em ti um abrigo, conforto,
porto
Buscava em ti amor
E te oferecia o meu
Cansada, ferida, dolorida
No meu caminho de dor
Eu ainda te oferecia o que tinha: amor
Mas parecias não entender
Tinhas olhos fechados
Tinhas medos
Dizias que a vida te deixara marcas
Marcas!
Marcas!
Se temos os passos guardados?
Os pregos que nos feriram foram todos retirados
...buscava um porto, conforto
E não entendeste
Vias somente o anjo torto
O anjo de asas machucadas


sonia delsin
ENFIM!

Muitos diriam
-- Que destino duro!
Precisavas romper o casulo
Que longo tempo de crisálida!
Que longa espera!
Posso quase vê-la num outro espaço a volitar
O que buscavas, foste encontrar?
Teus grandes olhos enfim se abriram para outras realidades?
Um dia nos reencontraremos? Destas coisas conversaremos?
Ou serão outras conversas?
Teremos tempo para uma confabulação nesta imensidão?


sonia delsin

FOGO CALADO

tinhas o dom
em mim tinhas despertado
a menina que te entregava carinho
a mulher que nas madrugadas
chegava devagarzinho
vieste acender meu fogo calado
por ti o que não teria dado?
fecho os olhos, amado
e te enxergo nas brumas do tempo
tinhas um olhar que me matava
a fêmea despertava
viajava
...
viajava no céu da tua boca
ficava meio louca
...
desvairada
varava a madrugada
a sonhar
a sonhar
a esperar
e te demoravas
propositalmente?
tudo era desproporcional
o amor sem igual
o amor sem medida
a hora perdida
tu na minha vida


sonia delsin