terça-feira, 6 de janeiro de 2015



ENCONTRO COMIGO

Marquei um encontro
Um encontro comigo
Sob a marquise
A noite geme
Meu corpo treme
De frio
...
Um encontro comigo????
Corro perigo?
Que perigo?
Um encontro, marquei, marquei um encontro
Choro e as lágrimas molham a minha blusinha de renda
Eu me rendo, eu me rendo
Leve-me onde quiseres, morte
Não é hora ainda?
Choro, mas é de alívio
Ainda quero ficar por aqui
Tenho o que fazer
Saio madrugada afora
Vou escrever

sonia delsin 


DONA DO TEMPO?

Eu queria ser a dona
Dona do tempo
Queria não os minutos contados
Mas os minutos espaçados
Por um tempo infinito
Queria que aquele entardecer bonito
Beira mar
Nunca fosse se acabar
Queria de volta um tempo outro
O tempo de sonhar
E me embalar nas redes do desejar
Certas coisas nunca deveriam se acabar

sonia delsin


CORAÇÃO QUEBRADO

Eu pensava:
Qualquer hora
Qualquer hora este homem vai se declarar
Qualquer hora ele vai dizer que me adora
Tempo de espera
Tempo de sonhos
Qualquer hora
O que fazemos quando um sonho vai embora?

sonia delsin 


NA POESIA DO TEU OLHAR

Teu olhar marejado
Guardado no passado
Teu olhar atrevido
Maroto
Apaixonado!
Sinto saudades do teu olhar poesia
Sob ele sentia tanta alegria
Parecia que o céu me pertencia

sonia delsin 


PLANETA NEGRO

Canteiros inteiros
de cimento armado
Atravessaram à unha o gramado
Arranhando tudo
Sangraram terras
E árvores despencaram
Florestas incendiaram
Rios e nascentes contaminaram
Amaldiçoaram o chão
Veio o castigo
A devastação
Planeta da expiação
Quanta maldade!
Quanta destruição!

sonia delsin  


TRANSFORMAÇÃO

teus beijos molhados
tinham o dom de me umedecer a alma
teus olhos eram quentes
abrasadores
e frios se tornaram
me trazendo dores
quanta desolação!
quanta dor!
quanta decepção!
porém, o correr do tempo
nos traz consolação

sonia delsin 


LONGO VÉU

desce sobre os homens
sobre as coisas
sobre a Terra
longo véu
ao som de um mantra
o indivíduo percorre abismos insondáveis
escala montes
adentra em florestas impenetráveis
aprofunda-se no mais profundo
e suspira fundo

chega o negrume da noite
o vento
o açoite
regressar sem ter partido?
chegar sem ter ido?

ele se põe a rir, a rir
não o riso dos mortais
o grunhido dos seus ancestrais

longo véu
começa a dançar, a rodopiar

e a cantar... regressar

sonia delsin